Neste final de ano os Estados Unidos divulgaram uma nova estratégia de segurança nacional, voltando suas baterias para a América Latina. 

Neste final de ano, os Estados Unidos divulgaram uma nova estratégia de segurança nacional, voltando suas baterias para a América Latina. O documento recupera a postura da famosa “doutrina Monroe”, criada no início do século XIX, que alertava as potências europeias a não fazerem intervenções nas Américas.

Este documento reafirma a política de Trump com o “América first” (américa primeiro) fortalecendo ações intervencionistas no mundo ocidental, em particular a América do Sul. Sob o pretexto de combate às imigrações clandestinas e tráfico de drogas, o texto defende intervenção armada nos países que possam colocar em algum risco os Estados Unidos. Serve como um alerta à China em sua política econômica expansionista e à própria Europa em não questionar os interesses norte-americanos na região.

Recentemente, assistimos uma sequência de intervenção armada no Caribe, visando pressionar a deposição de Maduro na Venezuela, acusando-o de ser um líder “narcoterrorista”. Tal postura já causou diversos ataques a embarcações que supostamente levam drogas aos Estados Unidos, na chamada operação “Lança do Sul”. Foram mais de 20 ataques que ocasionaram mais de 80 mortes em águas internacionais, o que é totalmente inadmissível e condenável pelas leis internacionais. Num caso que tem provocado indignação de políticos norte-americanos, independente dos partidos, é que em um destes ataques houve dois sobreviventes que ficaram agarrados aos restos da embarcação e num gesto covarde fizeram um novo ataque com a finalidade de matar os sobreviventes. Não se descarta uma possível invasão por terra ao território venezuelano.

O Trump tem defendido as ações das forças armadas e avançado as provocações para a Colômbia, colocando em xeque uma política organizada de combate ao tráfico de drogas que já dura há muitos anos. Além de tudo isso, ainda faz provocações constantes ao México com pressões militares e econômicas.

O mundo se pergunta até onde vai a insanidade desse homem? Há alguém ou algum país que pode frear estas ações? Qual o poder da ONU e suas organizações internacionais em pressionar os Estados Unidos recuarem em sua saga? 

O mundo, e especialmente nós do continente americano, continuamos acuados pelas suas ações. E seguimos assistindo com terror aos criminosos ataques.

Fotografia: Rio de Janeiro (RJ), 05/01/2026 – Ato na Cinelândia contra a invasão dos Estados Unidos na Venezuela. Gilberto Costa/Agência Brasil