O ano de 2025 marca o aniversário de 80 anos da criação da Organização das Nações Unidas, uma data que deveria merecer uma grande comemoração, mas não é bem isso o que assistimos hoje.
No final da Segunda Guerra Mundial, as principais potências, que saíram vitoriosas do confronto, entraram em acordo para promover um espaço político que evitasse novos conflitos, principalmente em escala mundial. A ONU, como é conhecida, sucedeu o que era a Liga das Nações, que tinha sido criada em 1919 após o término da primeira Guerra Mundial.
A ONU tem como seus objetivos “manter a segurança e a paz mundial, promover os direito humanos, auxiliar no desenvolvimento econômico e no progresso social, proteger o meio ambiente e prover ajuda humanitária em casos de fome, desastres naturais e conflitos armados”. O que hoje em dia está cada vez mais distante de seus princípios.
Um dos principais motivos dessa distância é a composição e forma de atuação do chamado Conselho de Segurança, composto por 15 membros, sendo 5 deles permanente: Estados Unidos, França, Inglaterra, Rússia e China, com poder de veto, ou seja, se um destes 5 países se opuser aos demais nenhuma resolução pode ser tomada. Como podemos observar, essa composição refletia as potências da época e não refletem mais o quadro político atual. Nenhum dos países do chamado Sul Global faz parte de seu Conselho como membro permanente, e o poder de veto ultimamente tem impedido as nações de tomarem medidas mais efetivas quanto aos conflitos armados entre países ou mesmo populações no mesmo território.
A parir dos anos 70 vimos uma série de atentados à democracia em diversos países, golpes de Estado financiados por empresas multinacionais, guerras civis promovidas por especuladores financeiros em busca de riquezas minerais, todas com forte copatrocínio de grades potências mundiais. Os últimos acontecimentos como a guerra entre Ucrânia e a Federação Russa, o genocídio em Gaza com a expulsão do povo palestino de seu território e o grave conflito no Sudão, deixam claro a impotência da ONU na resolução dos conflitos. Bem como a guerra de sansões econômicas prejudicando a economia de diversos países e, principalmente, de seus povos que são os mais afetados; assim como o desmonte promovido pelos EUA em suas agências como a UNESCO, que cuida da Educação, e na Organização Mundial de Saúde – OMS, mostram sua fragilidade e causam desconfiança ao redor do mundo.
É mais do que necessário uma nova governança que promova o retorno aos princípios de sua fundação. A ONU não pode mais ficar refém de uma superpotência decadente como os Estados Unidos. Está mais do que na hora dos países subdesenvolvidos e emergentes se fazerem ouvir e serem respeitados como Nações Soberanas.
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