No mês de setembro, dia 07, comemoramos a aniversario da Independência do Brasil ocorrida no ano de 1822. É um momento oportuno para apresentarmos algumas reflexões sobre seu histórico e caráter. Retomando o pensamento do sociólogo e político, o professor Florestan Fernandes, o Brasil nunca rompeu com sua herança colonial, nossa burguesia sempre esteve aliada ao pensamento escravocrata e submissa aos interesses do grande capital.

Cabe lembrar que o Brasil passou por grandes movimentos de ruptura contra o domínio português antes de Dom Pedro proclamar a Independência. Desde a Revolução Francesa em 1789 e a guerra de independência dos Estados Unidos em 1776, os pensamentos libertários se tornaram fortes no movimento intelectual no Brasil. Tivemos a Conjuração Mineira ou Inconfidência Mineira em 1789, a Conjuração Baiana em 1798, sem esquecermos do Estado Autônomo formado pelo Quilombo dos Palmares ainda no final do século XVI que durou 100 longos anos; o maior símbolo de resistência negra e com enorme influência no pensamento libertador.

Podemos entender o gesto de Dom Pedro I hoje, como um conjunto de articulação dos poderes locais contra a espoliação feita por Portugal contra as riquezas produzidas pelo Brasil. Mesmo no reinado de seu filho Dom Pedro II, ocorreram no Brasil diversas revoltas populares contra o Império e em favor de uma República Soberana. Podemos citar a Confederação do Equador em Pernambuco, a Balaiada no Maranhão, a Sabinada na Bahia, a revolta dos Malês, também na Bahia, esta, com um caráter profundamente, religioso, político e antiescravagista. Antes da Proclamação da República em 1889, tivemos uma guerra que dividiu o sul do país em 1835-1845. Ainda nos anos de 1800 tivemos a guerra dos Canudos, na Bahia, 1896-97, questionando a nova república e o poder dos grandes latifundiários na política local. No começo de 1900 também tivemos um conflito pesado em Santa Catarina com a chamada guerra do Contestado, onde os pequeno produtores foram alijados de seus bens e suas terras. Todas contaram com uma forte repressão do aparelho de Estado, controlados por Latifundiários e Burgueses, e um número incontável de mortes e prisões. Nunca foi fácil, nunca foi no grito.

Tivemos avanços na Primeira República, mas o poder sempre esteve concentrado em poucas mãos e a questão racial nunca foi objeto de aceitação ou reparação. Assim com a soberania nacional nunca encontrou ecos nos antros do poder. Na segunda metade do século XX, com Getúlio Vargas, algumas ações em defesa da soberania nacional começaram a aparecer com maior vigor, bem como um certo reconhecimento da classe operária. A criação da Companhia Siderúrgica Nacional na década de 40 e a da Petrobras em 1953 foram alguns desses indícios de buscarmos alternativas de crescimento sem dependência da política internacional.

A política nos anos 60 apontava a necessidade de revermos nossa história e organização da sociedade. Era preciso discutir a distribuição de terras e de renda, uma organização mais autônoma da sociedade, a defesa do regime socialista e da Soberania Nacional. Mais uma vez a classe dominante buscou se associar aos grandes interesses externos e sufocou o processo com um golpe de Estado em 1964, colocando mais uma vez o Brasil como submisso aos interesses externos, principalmente dos Estados Unidos.

Essa visão de soberania e independência que a extrema direita apresenta hoje é a mesma desde a época colonial. Nossa burguesia NUNCA rompeu com essa herança. Isso fica evidente com seus líderes defendendo a política do presidente norte americano, o Tump, em impor tarifas absurdas ao Brasil e se colocar contra as instituições nacionais. 

Como sempre disse nosso mestre Florestan, é importante compreender a luta de classes na sociedade brasileira, considerando sempre as contradições e conflitos entre diferentes grupos e atores políticos e econômicos. Nossa verdadeira independência será feminista, negra, sustentável e anticapitalista!

No dia 07 de setembro comemoramos também o chamado “grito dos excluídos”, uma manifestação popular que ocorre já há trinta anos como um ato de protesto aos festejos “oficiais”. Este ano com foco na defesa da soberania nacional e no plebiscito popular que estamos apoiando em favor da redução de jornada sem redução de salário com o fim da escala 6X1 e pela taxação das grandes fortunas para financiar a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$5.000,00.

Venha participar você também!

Imagem: Filipe Araújo/ MinC (Fotos Públicas)