Por Renato Porto (com colaboração de Professor Betinho)

Em 23 de maio de 2022, na periferia da Zona Sul de São Paulo, nascia e surgia um movimento negro chamado Zumbi dos Palmeiras. 

Fundado pelo jornalista Renato Porto, que teve ajuda da Elisa Maria, estudando de culinária, o nome foi pensado e faz referência direta a Zumbi dos Palmares, líder quilombola de Palmares, que, na região da Serra da Barriga, resistiu e lutou bravamente a quase 1 século contra os escravocratas coloniais. 

O movimento surgiu para quebrar o estereótipo de que a torcida do Palmeiras tem apenas brancos e elitizados. O mesmo estereótipo que invalida e ofende o povo preto e periférico que torce para o clube. 

Com essa essência e essa finalidade, nascia a ZDP!

O movimento surgiu na quebrada e foi se estabelecendo nas alamedas do estádio, com boa reação de muitos e o incômodo da minoria. 

O cartão de visita foi, em 3 meses de existência do movimento, erguer uma bandeira escrita: “FOGO NOS RACISTAS. PELE PRETA E MANTO VERDE” em frente ao Allianz Parque, no jogo contra o Boca Juniors, na semifinal da Libertadores daquele ano. 

Como um rojão no final de ano, a ZDP fez barulho e se fez notória! 

Após o ocorrido, a ZDP foi crescendo, se fortificando e ganhando mais espaço com a sua luta.

“ANTES DE SERMOS PALMEIRENSES, NASCEMOS PRETOS E NA QUEBRADA.”

Com o crescimento do movimento, surgiu a necessidade de agir e contribuir diretamente para a quebrada. Então, a ZDP começou a realizar ações sociais.

A primeira ação social aconteceu no começo de 2023, realizando entregas de caixa de chocolate para crianças que vivem em abrigos na Zona Leste e também para as crianças da Cohab Adventista, Capão Redondo, totalizando mais de 380 crianças nessa ação. 

E, desde então, o movimento seguiu contribuindo.

Foi realizada uma ação solidária para ajudar o Seu Jorge, um ilustre morador da zona sul de São Paulo, que vive na praça da Avenida Montemor, onde ele tem um acervo de livros e ajuda a criançada da comunidade levando cultura e leitura. 

Em um fatídico dia, seu acervo amanheceu queimado. A ZDP, sabendo da história, se mobilizou e fez um ponto de coleta de livros em jogos do Palmeiras e retirada no metrô, arrecadando uma quantidade significativa que lotou uma picape Fiat, levou todos os livros para a casa do seu Jorge. Uma ação coletiva, em que todos se mobilizaram!

Alguns meses antes de outubro do mesmo ano, a ZDP se organizou para contribuir diretamente para a Festa do Dia das Crianças, no Jardim Piratininga, em Osasco. Uma festa que ocorre há mais de 4 anos, em que os moradores da região se organizam e fecham a rua com brinquedos, comidas e bebidas para toda a criançada. O movimento ZDP contribuiu diretamente com suplementos e financeiramente para ajudar a ação. 

Mostrando, na prática, que é o braço direito da quebrada!

E, desde então, a ZDP segue fazendo ações e se fazendo presente na quebrada. Nesse ano de 2025, a ação social da Páscoa foi no Jardim Ubirajara, para a criançada da Favela do Abacateiro.

CORES E VALORES

Com o propósito de fortalecer a comunidade preta e palmeirense, a ZDP transcendeu o lado do futebol. É um coletivo de luta, aquilombamento e pertencimento. O movimento luta pela inclusão do povo preto e periférico nos estádios, mas também em um lugar mais digno na sociedade. Luta contra as opressões policiais, injustas raciais e tudo que envolve a comunidade preta. 

Meses atrás, o movimento criou o “Projeto Dandara”, que é tocado por mulheres pretas e que nasceu da urgência de resgatar memórias, reafirmar identidades e fortalecer mulheres. O Projeto Dandara é para todas que já se sentiram pequenas, mas carregam dentro de si a grandeza de suas ancestrais. É para quem precisa de apoio para reconstruir a autoestima, se reconectar com a própria história e ocupar o lugar que sempre foi seu por direito.

Com a marca de 49 mil seguidores nas suas redes sociais, o movimento também compartilha histórias e opiniões de seus valores, como falar dos bailes black da Chic Show, que foi a revolução do movimento negro em São Paulo no século 20, além de contar histórias de revolucionários como Luiz Gama, Tereza de Benguela, entre outros. 

Em 2024, a ZDP realizou o seu primeiro Samba da Consciência Negra, na região do Jardim Miriam, reunindo gente de várias regiões de São Paulo e até de outras partes do Brasil. Agora, em 2025, no dia 22/11, a partir das 14h, será realizado o segundo Samba da Consciência Negra, previsto para acontecer num local especial, de samba tradicional da zona sul da cidade, onde ocorrem os eventos do Pagode na Disciplina, no Jardim Miriam.

O movimento é um resgate ancestral, que revigora o orgulho do povo preto e luta pela sua próxima geração.

Imagens: Acervo ZDP