Por Luiza Erundina
Há 35 anos, em 4 de setembro de 1990, o Brasil e o mundo estavam diante da abertura da Vala de Perus. Um dos marcos da luta pela memória, verdade e justiça de reparação.
“Descobriu-se, naquele cemitério municipal, construído em 1971, uma vala clandestina com 1.049 ossadas acondicionadas em sacos plásticos sem nenhuma identificação. Informações do então administrador do cemitério, o funcionário Antonio Pires Eustáquio, davam conta de que para lá eram levados os corpos de indigentes, vítimas anônimas do Esquadrão da Morte, da miséria social e da repressão política, para serem enterrados em covas individuais ou jogados numa vala comum. Na condição de prefeita da cidade, ao ser informada sobre aquele fato inusitado desloquei-me imediatamente para o cemitério, a fim de assumir pessoalmente o controle da situação e declarei, naquela ocasião, o compromisso do nosso governo de investigar e revelar toda a verdade a respeito de fatos tão graves”.
Imagem: Luiza Erundina/Divulgação

