A luta do povo brasileiro sempre foi por independência e soberania

A luta do povo brasileiro ao longo de sua história, sempre foi por independência e soberania. Desde a luta dos indígenas que já habitavam o território quando fomos invadidos e colonizados pelos portugueses até os dias de hoje a luta tem sido intensa e constante.

Nossa independência de Portugal não foi obtida com um grito, como algumas pessoas insistem nessa narrativa derrotista. Foi uma construção difícil que atravessou décadas e exigiu muito sacrifício, inclusive muitas mortes por assassinatos ocorreram ao longo dos tempos. O povo brasileiro, negros escravizados, indígenas, militares e, mesmo filhos da elite colonial, se rebelaram contra a exploração e submissão à colônia portuguesa.

Conquistamos nossa independência em 1822, mas não conquistamos soberania popular. Continuamos sofrendo pela escravidão e exclusão da grande maioria das riquezas produzidas e mantidos como colônia pelas grandes potências da época.

Conquistamos a república, mas a imensa maioria dos brasileiros eram impedidos de votar. Na época, o voto era censitário, ou seja, só poderiam votar e serem votados as pessoas que possuíssem propriedades e tivessem dinheiro. Mais uma vez, imensa população de brasileiros foi excluída do processo.

Nesse período, chamado de República Velha, muitas lutas ocorreram em todos os cantos do país, verdadeiras revoluções que foram dizimadas pelas armas do exército a serviço da classe dirigente. Canudos, Cabanagem, Insurreição Pernambucana, Revolta dos Malês, Guerra do Contestado, Revolução Farroupilha, são alguns dos exemplos de uma população que se revoltava contra o poder dos “Coronéis” que dirigiam a República.

Em 1930, com Getúlio Vargas, a população começou a ser ouvida e respeitada e assistia animada ao fim do coronelismo e a República do Café com Leite, que era dominada pelas elites de São Paulo e Minas Gerais. Importante lembrar que somente antos anos depois, em 1932, as mulheres tiveram o direito ao voto nas eleições. Somente na década de 50, com um novo governo de Getúlio, o Brasil começa seu processo de industrialização e soberania. Foi criada a Companhia Siderúrgica Nacional e a Petrobrás, fundamentais para explorar nossas riquezas minerais e colocar e projetar o Brasil para o Mundo.

Mas, interesses elitistas e coloniais voltaram a nos atacar criticando o poder do Estado na economia, que segundo seus interesses deveria ficar nas mãos das elites locais associadas aos grandes interesses de potências estrangeiras.

Em 1964, no auge das conquistas trabalhistas e das reformas de base, ou seja, Reforma Agrária e Cidadania, as forças conservadoras dentro e fora do país novamente se juntaram e deram um golpe com apoio dos militares. Foram 21 anos de total escuridão e uma submissão aos interesses norte-americanos na região.

Finalmente, em 1988, foi promulgada uma nova Constituição em que todos os direitos foram reestabelecidos. Mesmo com algumas lacunas e sem a condenação de muitos criminosos, a luta da população foi atendida.

Infelizmente nos anos 90, durante os governos de Fernando Henrique Cardoso, muitas empresas estatais foram “doadas” aos poder financeiro nacional e internacional, quebrando nossa soberania. Perdemos a soberania das estradas de ferro que transportavam nossas riquezas e integravam nossas cidades, das telecomunicações tão essenciais e estratégicas, são alguns exemplos dessa perda.

Nos anos 2002, com a eleição de Lula apoiada por uma ampla frente de esquerda, começamos a reconstruir o Brasil e colocar os interesses do povo acima do poder financeiro e reconstruir também nosso projeto de soberana nacional. Barramos o processo de privatização da Petrobrás e do Banco do Brasil que estava em curso. Em 2016 ,um novo golpe dessas elites que controlam o Congresso tirou do poder a Dilma Rousseff, uma Presidenta legitimamente eleita pelo povo. Reformas conservadoras acabaram com a legislação trabalhista e a Reforma da Previdência acabou com o sonho da aposentadoria; situação que persiste até os dias de hoje.

Nas eleições de 2018, com um novo golpe que foi a prisão de Lula para que ele não concorresse e a eleição de Bolsonaro, o retrocesso foi brutal. Terras indígenas foram invadidas por especuladores e garimpeiros, com total apoio do governo da época. Comprometemos grande parte da floresta amazônica, tão essencial na vida do Brasil e do próprio planeta. Sem esquecer que nossa ciência foi relegada ao último plano, com cortes de verba e demissão de cientistas reconhecidos mundialmente. Quem não perdeu familiares e amigos com a negação da COVID? Quem não se lembra de um presidente que em cadeia nacional de televisão ironizava os doentes falando que era só uma “gripezinha” e a que as sequelas eram só “mimimi”? O Brasil perdeu a soberania tão duramente construída e o respeito por todos os países do mundo.

Vivemos a partir desse momento um discurso de ódio escondido na sociedade que aflorou todos os tipos de preconceitos, contra negros e mulheres, principalmente. O resultado desse discurso é o reflexo que vemos nos noticiários com a morte de jovens negros e o estrondoso aumento do feminicídio.

Em 2022, com a vitória de Lula com uma frente progressista, o Brasil volta aos trilhos e recoloca o povo no orçamento, provando que é possível crescer e distribuir renda. Os programas sociais foram retomados e fortificados. A isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 por mês atinge mais de 60% da população que pagava esse imposto. Ainda faltam muitas ações como a redução da jornada de trabalho e a taxação das grandes fortunas, mas isso deve avançar.

Infelizmente o Congresso Nacional dominado pelas elites locais aliadas aos interesses estrangeiros voltam a agir contra esse processo e destruir nossa soberania. O escândalo das emendas parlamentares e seu valor que é igual ao orçamento que o País tem para TODAS as obras, votações como a PEC da blindagem, que protege bandidos e corruptos, isso tem que acabar. Alguns posam de patriotas e defendem inclusive uma intervenção armada dos Estados Unidos e a venda de todas as empresas estatais. Eles têm lado, o poder econômico; nós temos outro, o interesse do povo. Isso precisa ficar claro.

Como pudemos ver, uma simples vitória eleitoral não é suficiente para consolidarmos nossas conquistas, é preciso que a sociedade esteja consciente do processo político e organizada todo o tempo, e não somente em períodos eleitorais. Precisamos reformar as Instituições dando maior poder e autonomia aos cidadãos, democratizar os espaços públicos.

No final do ano passado, realizamos em todo o Brasil um plebiscito popular pelo fim da escala 6X1, pela isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00 e a taxação de grandes fortunas; tivemos amplo apoio da população e o Congresso teve que se curvar a vontade do povo. É um exemplo de nossa força e nossa capacidade de organização. 

Deixamos de ser colônia há muitos anos e não vamos aceitar ser colonizados novamente.

Imagem: IBGE

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