Como havíamos escrito em nosso último número, o final de 2025 seria tenso e intenso, mas nenhum novelista poderia imaginar os acontecimentos que tivemos em tão pouco espaço de tempo.
Foram muitos acontecimentos que marcaram este final de ano, indo da COP 30, passando pela prisão dos mandantes e organizadores do golpe de Estado frustrado em 08 de janeiro de 2023, a violenta operação policial no complexo do Alemão no Rio de Janeiro e os desmandos da Câmara dos Deputados em Brasília tentando reativar a PEC da impunidade. Mas, também tivemos uma grande vitória com a aprovação da isenção do Imposte de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00.
No período de 10 a 21 de novembro foi realizada a 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a COP30, na cidade de Belém do Pará. Um marco, pois foi sediada na porta de entrada da floresta amazônica. Após as três últimas COPs sem participação popular, esta reuniu muitas delegações e povos indígenas, ao lado de cientistas, líderes governamentais e empresariais. O principal objetivo era negociar ações concretas visando reverter o grave quadro de aquecimento global, as chamadas NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) e o financiamento da transição energética. Infelizmente, os principais produtores de petróleo, bem como os principais poluidores, mais uma vez, não apresentaram ações ou se comprometeram com os recursos necessários para essa transição. Um deles sequer mandou uma delegação oficial: os Estados Unidos. No entanto, o “mapa do caminho”, uma proposta do governo brasileiro que foi o termo central da transição energética, ou seja, o fim dos combustíveis fósseis, mesmo não sendo aprovado, obteve um forte apoio das delegações e entrou definitivamente no foco das futuras Convenções.
Um pouco antes, no dia 28 de outubro, o Brasil acordava com a notícia de uma grande operação policial no complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, contra o Comando Vermelho. Segundo matéria do G1 em 01/12/2025, 122 pessoas morreram, sendo 5 delas policiais, 81 foram presas e 100 fuzis foram apreendidos. É considerada a operação mais letal no Estado. Duas considerações devem ser feitas: em primeiro lugar, o baixo nível de aceitação do governador Claudio Castro na época e, a segunda, que esta ação não teve sucesso em prender as principais lideranças do grupo como o chamado “Doca”. Até o presente, os números seguem em constantes alterações. Cabe ressaltar aqui que recentemente o presidente da assembleia legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar, do União Brasil- RJ, foi preso por suspeita de repassar informação privilegiada sobre a prisão do deputado TH Joias, do MDB-RJ, preso por envolvimento com o Comando Vermelho.
Ainda no foco desse importante tema, o Congresso Nacional voltou ao debate sobre a PEC – Proposta de Emenda Constitucional nº 18/2025, paralisada na Câmara dos Deputados desde abril deste ano. Essa proposta do governo, após ampla discussão com especialistas e governadores propõe em resumo criar um Fundo Nacional de Segurança Pública – um SUS da segurança; a ser distribuído aos Estados para apoiar as ações na área de forma articulada em projetos e atividades junto aos Estados. Mas nem tudo são flores. Há uma forte resistência dos governadores de oposição e possíveis candidatos à eleição de 2026, bem como de partidos do chamado Centrão, também de oposição. Foi apresentado também um Projeto de Lei Antifacção com um novo conceito de crime violento, prevendo penas mais duras para os criminosos, estabelecendo um banco de dados ao nível nacional e um rigoroso combate financeiro a estes grupos. O Governo Tarcísio de São Paulo exonerou seu Secretário de Segurança, que retornou ao Congresso para ser o relator dessa matéria. Num período de uma semana, apresentou 6 versões diferentes e foi aprovado um texto desfigurando completamente a versão original. Para termos uma pequena ideia de sua intenção, uma das versões retirava completamente o poder da Polícia Federal em realizar investigações, pois seria necessária a aprovação do Governador para que realizasse seu trabalho. O projeto seguiu para o Senado onde esperamos que o relator, Senador Alessandro Vieira, recupere o texto original.
Por uma incrível coincidência do destino, essa ação da Câmara dos Deputados se deu após grandes operações da Polícia Federal que atingiram o patrimônio de criminosos, inclusive na chamada Faria Lima, coração do mercado financeiro do País. Uma delas foi a operação “Carbono Oculto” envolvendo a Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público. Descobriu-se um grande esquema de sonegação fiscal, estimados em mais de R$ 52 bilhões, com postos de combustíveis que fraudavam quantidades e o próprio combustível com metanol. Os valores sonegados pelo crime organizado entravam no sistema financeiro através das fintechs, serviços financeiros digitais, e que por meio de ocultação de patrimônio, os fundos não tinham um portador e era usado por outros fundos ocultando os verdadeiros donos da conta. Uma das empresas envolvidas nessa transação está ligada também ao banco Master, que acabou de ter seu “cpf cancelado” pelo Banco Central por venda de títulos de crédito falsos. Logo em seguida, houve a operação “Poço de Lobato” onde a Receita Federal e órgãos parceiros desarticularam em grande esquema de sonegação ligado a operação “Carbono Oculto”. Nessa operação, descobriu-se que importadoras adquiriam no exterior a derivados de petróleo com impostos mais baixos que, na verdade, era gasolina e metanol. Chegavam a uma refinaria no Rio de Janeiro, a REFIT, cujo dono é considerado o maior devedor do Brasil. Essa refinaria, na investigação, não refina nada além das notas fiscais, mas recebe navios combustível com gasolina e somente repassa aos distribuidores. Essa “refinaria” foi objeto de um pedido do governador do Rio de Janeiro Claudio Castro junto ao governo federal para que fosse desinterditada.
Não vou cansá-los aqui com os envolvimentos desses grupos criminosos com a política, a relação entre políticos, o Banco Master, a REFIT está sob investigação do STF e causam furor em Brasília; para quem não observou, o Banco de Brasília, estatal sob o comando de Ibaneis Rocha, governador de Brasília hoje e durante os ataques em 2023, se propôs a comprar parte desse banco, fato que foi impedido somente pelo Banco Central do Brasil. Mas, fica uma pergunta: a quem interessa retirar a Polícia Federal das investigações?
Vamos falar de um fato muito positivo que foi a aprovação da isenção e de novas contribuições do Imposto de Renda. Em nosso território, fizemos uma ampla e vitoriosa campanha num plebiscito popular pela isenção de IR para quem ganha até R$ 5.000,00 e o fim da escala 6 X 1. Foi sancionada a proposta de isenção, incluindo um desconto para quem recebe até R$ 7.350,00, beneficiando mais de 15 milhões de brasileiros. A conta fica para os que recebem mais de R$ 50.000,00 por mês. A nova mudança de faixa fica da seguinte forma para 2026: até R$ 5.000,00 isento; até R$ 5.500,00 um desconto de 75%; até R$ 6.000,00 um desconto de 50%; até R$ 6.500,00 um desconto de 25% e a partir de R$ 7.350,00 fica a aplicação da alíquota atual de 27,5%. Para muitos trabalhadores isso representa um 14º salário.
Outra importante vitória foi que, pela primeira vez em nossa história, os envolvidos em tentativa de golpe de Estado foram julgados e condenados pela justiça. Tiveram amplo direito a defesa e um julgamento justo, ao contrário do que defendiam durante o período de ditadura civil-militar. Ainda faltam alguns casos como os financiadores dessa empreitada, mas estamos num caminho correto e pacífico. As instituições estão preservadas e atentas ao interesse nacional.
Infelizmente quando de fechamento dessa matéria, surgiu um fato gravíssimo na Câmara dos Deputados. O presidente da Câmara, deputado Hugo Mota do PR-PB, pautou em regime de urgência a cassação do mandato de Glauber Braga PSOL-RJ e o projeto de dosimetria da pena dos envolvidos na tentativa de golpe de Estado com a intenção de reduzir a pena dos CONDENADOS por participar de uma organização criminosa. Glauber ocupou a cadeira da presidência em um justo repúdio à tentativa de cassação de seu mandato e sob as ordens de Hugo Mota a polícia legislativa foi acionada e retirou a força o parlamentar. Não bastasse isso, a transmissão por rede pública foi cortada e os jornalistas presentes expulsos do plenário, sendo inclusive agredidos quando da saída do parlamentar. Na madrugada do dia 10 de dezembro, às 3;52h foi aprovado o projeto de redução das pena dos golpistas. Uma afronta ao STF e ao povo brasileiro.
Outro fato grave, foi que diversas páginas de políticos de esquerda misteriosamente saíram do ar nas redes sociais. Isso demonstra que, apesar de alguns avanços, as forças reacionárias continuam em pleno movimento se agrupando e criando corpo para as eleições em 2026. É preciso estar atento e nas ruas para dialogar com a população, expondo a banda podre da classe política, com fortes relações com golpistas e seus financiadores.
Fotografia: Brasília/DF – 31/10/2025 – Pessoas durante manifestação contra a operação policial Contenção no Rio de Janeiro. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil


Boa matéria!
O último trimestre foi particularmente intenso. De fato, o Brasil não é para amadores e a direita, ao contrário do que às vezes não atentamos, possui um projeto de país que tem como grande eixo isolar o povo de qualquer possibilidade de participação.