Os meses de julho e agosto foram marcados por intensas e tensas batalhas políticas no cenário externo e interno, podemos até afirmar que os dois estão altamente vinculados.
Ainda em julho, o governo Trump – presidente dos Estados Unidos da América, adotou medidas comerciais que impuseram um violente aumento nas tarifas de importação a todos os países do globo. Tal medida fez com que muitos países, ou mesmo blocos econômicos como a União Europeia, fizessem negociações isoladas visando reduzir essas tarifas. Sendo que a grande maioria simplesmente sucumbiu aos interesses dessa grande potência para manter sua exportação. TODAS essas negociações tiveram tarifas acima do que eram antes.
A China recebeu inicialmente uma tarifa absurda de 145% em seus produtos, o que levou o governo chinês em uma retaliação aumentando as tarifas de importação para produtos norte-americanos. Após esse cenário de confronto, o governo americano adiou o aumento para novas negociações, e continuou adiando até o presente.
O Brasil também recebeu um tratamento diferenciado, as tarifas médias com outros países giraram de 15% a 25% e para nós, foi imposta uma tarifa de 50%. O governo Trump alegou que o comércio com o Brasil apresentava um desequilíbrio econômico causando déficit aos EUA, e ainda alegou que havia uma perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Alegou também que o Brasil praticava restrições a empresas norte americanas causando prejuízos econômicos.
O Brasil rebateu todas as acusações. Primeiro que não havia nenhum déficit comercial com os EUA, muito pelo contrário, os valores importados eram muito superiores a exportação, causando déficit para o Brasil. Em segundo lugar, as medidas adotadas pelo poder judiciário contra as empresas de redes sociais visam sua regulamentação e não impedimento de atuarem aqui; o judiciário somente agiu para que elas retirassem conteúdos falsos (fake news) bem como aqueles impróprios que incentivam abuso infantil, racismo, misoginia etc. Nada diferente da legislação europeia. Em terceiro lugar, fez uma grave crítica ao sistema PIX de pagamento, que causa prejuízos financeiros a empresas americanas, – cabe lembrar que as grandes Big Techs como Google, Meta, Amazon tem suas próprias redes de pagamento, inclusive cobrando tarifas de seus usuários. Simplesmente exigiram a extinção do sistema PIX.
Por último, e não menos grave, pede anistia ao Bolsonaro impondo retaliações aos membros do Supremo Tribunal Federal que julgam a ação. Não foram todos juízes. Na verdade, três ficaram fora; os dois indicados por Bolsonaro e o FUX. Aqui começa a intervenção no cenário nacional.
Um dos principais articuladores dessa política contra a soberania do Brasil é um deputado federal que se mudou para os Estados Unidos, mas manteve seus vencimentos como parlamentar, exatamente o filho de Bolsonaro – Eduardo Bolsonaro. Ele não só fez gestões para defender o tarifaço contra o país, como também agiu com membros do governo americano impedindo negociações.
Para o Trump, um cenário perfeito. De um lado defendendo um de seus principais aliados na América do Sul e por outro lado colocando em xeque o protagonismo do Brasil no continente e no BRICS1.
No início de agosto, um outro fato gravíssimo, a ocupação de alguns parlamentares na Câmara Federal e no Senado, impedindo – até mesmo fisicamente – as mesas diretoras de conduzir o parlamento. Em resumo, os bolsonaristas tomaram de assalto o Parlamento brasileiro. Fato que nunca aconteceu em nossa História.
Devemos refletir sobre isso, principalmente agora com os festejos do aniversário de nossa Independência em 07 de setembro. A defesa de nossa soberania é inegociável. Devemos punir os falsos patriotas que agem contra os interesses do Brasil, principalmente deputados e senadores que defendem as ações do governo norte americano, como, principalmente, os parlamentares do PL.
Setembro também será um mês de intensa movimentação, com o julgamento das principais cabeças que tentaram o golpe de Estado em 2023. Começando no dia 02 com o julgamento de Jair Bolsonaro e mais sete réus. Basta de impunidade. Cadeia para os golpitas.
Em tempo, pela primeira vez em nossa história, aqueles responsáveis por golpe de Estado estão sendo julgados e condenados pelo STF. Por enquanto o chamado “núcleo crucial”, ou seja, os principais articuladores do golpe e no ataque violento aos prédios públicos em Brasília no 08 de janeiro de 2023.
“O que há de inédito nesta ação penal é que nela pulsa o Brasil que me dói. A presente ação penal é quase um encontro do Brasil com seu passado, com seu presente e com seu futuro na área das políticas públicas dos órgãos de Estado”. (Exma Ministra Carmem Lúcia ao proferir seu voto pela condenação dos réus)
- BRICS – bloco econômico que reúne as principais economias do Sul Global como Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul que deram origem a sigla. Hoje incorporam mais 5 países: Arabia Saudita, Egito, Etiópia, Irã, Indonésia e Emirados Árabes Unidos, além de outros parceiros: Belarus, Bolívia, Cazaquistão, Cuba, Malásia, |Nigéria, Tailândia, Uganda e Uzbequistão. Possui 49% da população mundial e 39% do PIB global. ↩︎
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