Quem vem acompanhando o noticiário nas diversas mídias, tem observado a saraivada de críticas à política econômica do governo. A palavra-chave das críticas é a necessidade de “medidas estruturantes” centrada no “corte de gastos”. Mas, afinal, o que querem dizer com isso? Qual a real intenção dessas críticas e dos chamados “analistas”?
Vamos esclarecer um pouco o que vem ocorrendo.
O que são as “medidas estruturantes” que as classes dominantes defendem? São medidas que mudem o cenário econômico atual para uma política em defesa dos que vivem de renda defendendo a liberdade de capital e sua isenção de impostos; medidas que fortaleçam o subsídio a empresas e ao agronegócio com uma política de isenção de impostos e juros baixos para financiamentos, medidas que passam pelo recolhimento do INSS calculada com base no lucro das empresas e não pela sua contribuição em relação sobre o salário; e o fim dos reajustes no salário-mínimo e aposentadoria. Enfim, um conjunto de medidas que beneficiam somente a parte do andar de cima, com recursos do andar de baixo.
Quanto ao chamado “corte de gastos”, isso envolve cortes nos benefícios sociais, destacando a saúde, educação pública e a aposentadoria, onde propõem desvincular do salário mínimo e acabar com a política de aumento real. Isso não passa por atacar os super salários, aposentadoria e pensão de militares, redução das isenções fiscais para alguns setores privilegiados, redução dos valores liberados para emenda parlamentar e uma tributação sobre lucros e ganhos de capital e muito menos para remessa de lucros para o exterior. Aí cabe a grande questão. Por que não falam dessas medidas nas mídias? Fica evidente que trata-se de uma tentativa de esconder seus verdadeiros interesses, atrás de frases que quase ninguém compreende. Quem tem coragem de defender, abertamente, medidas tão impopulares?
Fica mais interessante quando analisamos o último pacote do governo estruturado no aumento do IOF (imposto sobre operações financeiras), que atinge principalmente os grandes tomadores de empréstimos. Sem esquecer da proposta de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000,00.
Vamos aos fatos: o problema está na economia, como tanto alardeiam?
Em recente artigo publicado no jornal Valor Econômico, em 10 de junho, o jornalista da equipe que criou o jornal faz uma análise muito interessante e oportuna sobre alguns dados. “Argumenta-se que a inflação está incontrolável, mas ela atingiu a média de 4,73% ao ano nos últimos dois anos. Nos quatro anos anteriores, havia alcançado 6,17% ao ano. E a inflação média atual está baixo da média dos últimos trinta anos (6,5% ao ano), desde que foi criada a atual moeda em circulação.”
Apresenta também nesse artigo outros dados, como a renda das famílias que aumentou mais do que a inflação dos alimentos, principalmente das famílias mais pobres. Cita a queda na informalidade do trabalho, a redução da desigualdade de renda, o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto – que é a soma das riquezas produzidas pelo País) e o crescimento do lucro das empresas e do setor financeiro, além da bolsa de valores quebrando recordes. E, claro, a redução dos índices de desemprego e aumento da massa salarial.
Como podemos observar, o “problema” passa longe da economia. É a política!
O que está, verdadeiramente, por trás desse discurso é a apropriação das riquezas produzidas por parte da classe dominante; a burguesia, também conhecida como o andar de cima. O Congresso é dominado, em sua maioria, por empresários, latifundiários e banqueiros; por isso, essa discussão encontra eco e repercute nas grandes mídias; todas de empresários.
É só observar que todas às vezes que o governo solta medidas que visem a distribuição de renda mais justa, com taxação para o andar de cima, vem essa gritaria e oposição no Congresso. Fica evidente que a intenção em “quebrar” o governo Lula favorecendo uma nova aliança conservadora e antissocial, como foram os governos Temer e Bolsonaro, para as eleições de 2026. Isso fica evidente quando o Congresso derrubou os vetos do governo Lula sobre energia onde, além de deixar a conta de luz mais cara (aumentando a inflação), obriga a compra de energia de usinas termoelétricas, inclusive a CARVÃO, que são altamente poluentes e alimentadas por um trabalho análogo a escravidão.
E agora mesmo, no dia 19 de junho, o Banco Central, contrariando até mesmo o mercado, aumentou a taxa SELIC em 0,25%. Mesmo com dólar e inflação em queda e uma projeção de crescimento do PIB. Um completo absurdo. Cabe ressaltar que a cada ponto percentual de aumento dos juros, o Pais paga R$ 50 bilhões ao mercado financeiro; hoje isso representou um custo de R$ 1,997 trilhão (42,96) do orçamento do governo federal em 2024, segundo Maria Lucia Fattorelli da Auditoria Cidadã da Dívida. Segue quadro abaixo:

Faz-se necessário ficar atento e analisar o que falam, assim como é fundamental nos insurgirmos na defesa de nossos interesses com maior organização e luta nas ruas.
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