AEL Sérgio Vaz, criada em 2016, valoriza autoestima e incentiva a formação de talentos literários
Na manhã do dia 07 de novembro de 2024, nas dependências do teatro Nelson Rodrigues, no CEU Alvarenga, ocorreu mais uma cerimônia anual de posse da AEL Sérgio Vaz, da EMEF Alm. Sylvio Heck, da DRE Santo Amaro. O Mestre de Cerimônias do evento foi o professor Wand, que, após saudar os familiares dos estudantes e convidados (escolas e AELs da DRE Santo Amaro presentes), tratou de contextualizar rapidamente o que ali iria ocorrer. A cerimônia contou ainda com a ilustre presença do próprio poeta Sérgio Vaz que, mesmo com compromisso marcado em outro estado (o poeta carregava sua malinha de viagem),arrumou um tempinho para prestigiar o evento, pegando os(as) estudantes de surpresa. Foi emocionante ver a reação deles, quando o Patrono da AEL foi anunciado e se fez visto nas dependências do teatro do CEU Alvarenga. Poeta, cronista e produtor cultural, Sérgio Vaz é um dos mais importantes escritores da atualidade, é cofundador do Sarau da COOPERIFA e referência na literatura marginal/periférica.









A AEL Sérgio Vaz existe oficialmente desde 22 de novembro de 2016, sendo a segunda da DRE – Santo Amaro e a 47ª da Rede Municipal de São Paulo. No momento de sua fundação, contava com 17 estudantes que tomaram posse de seus amigos literários e com a parceria das professoras Poliana, Ana Paula, Mariana e dos professores Marcos e Giovanni.
Com o evento de posse sendo repetido anualmente desde sua fundação para receber novos membros, hoje a AEL Sérgio Vaz é composta por membros titulares do Ciclo Autoral, correspondentes e membros iniciantes, além dos membros vitalícios, que são aqueles que, mesmo após a conclusão do Ensino Fundamental, continuam participando das atividades da AEL. Mas, o que são as AELs?
O projeto AEL (Academia Estudantil de Letras) nasceu em 2005 na EMEF Padre Antônio Vieira, na DRE Penha, então idealizado pela professora Suelizinha. De modo simplificado,trata-se de uma adaptação para o público estudantil de uma Academia de Letras que é desenvolvido nas Unidades Escolares da Rede Municipal de São Paulo. Dentro da dinâmica do projeto, os alunos escolhem um autor da literatura para representar na Academia. Nos encontros literários do projeto, fazem pesquisas e realizam seminários sobre os seus amigos literários, assistem a palestras de poetas, escritores e artistas convidados, tudo como estímulo à leitura literária e apreciação e produção das diversas linguagens artísticas,como o teatro, a música, as artes visuais, a dança, etc. A ideia é que os estudantes mais experientes assumam a titularidade das cadeiras enquanto os mais novos são preparados,como membros correspondentes ou suplentes, para assumir a vacância da titularidade de modo a garantir a continuidade do processo.
Cada AEL tem a liberdade de definir qual será seu Patrono ou Patronesse, ou seja, o(a) escritor(a) principal homenageado(a). São pelo menos 236 AELs com Patronos definidos até o momento na cidade de São Paulo. Uma vez definido o Patrono ou Patronesse, considera-se que a AEL existe, mas nem todas estão ativas, pois, algumas vezes, pode ocorrer a interrupção temporária no seu andamento por falta de professor(a) responsável na UE para tocar o projeto com os(as) estudantes.
Na DRE- Santo Amaro, além da AEL Sérgio Vaz, as seguintes AELs estão ativas:
- AEL Jorge Amado – EMEF Professor Nelson Pimentel Queiroz
- AEL Conceição Evaristo – EMEF Profa. Ana Maria Alves Benetti
- AEL Carlos Drummond de Andrade -CEU- EMEF José Rezende
- AEL Lygia Bojunga – EMEF Armando de Arruda Pereira
- AEL Paula Pimenta – EMEF Profª Amélia Rodrigues de Oliveira
- AEL Heloísa Pires Lima – EMEF Antenor Nascentes
- AEL José de Alencar – EMEF Prof. Antônio de Sampaio Dória
- AEL Maria Sueli Fonseca Gonçalves- Suelizinha – EMEF Prof. Laerte Ramos de Carvalho
- AEL Mauricio de Sousa – EMEI Dona Leonor Mendes de Barros
- AEL Professor Betinho – EMEF Conde Pereira Carneiro
- AEL Chico Buarque de Hollanda – EMEF Cacilda Becker
- AEL Rita Lee – EMEFM Linneu Prestes
- AEL Elisa Lucinda – EMEF Manuel Borba Gato
A AEL da EMEF Sete Praias definiu como Patronesse Roseane Murray, mas ainda não consta na lista oficial. A lista completa de todas as AELs do município está neste link.
Uma das idealizadoras da AEL Sérgio Vaz, a POSL (Professora Orientadora de Sala de Leitura) da EMEF Alm. Sylvio Heck Ana Paula Rodrigues, traz também suas reflexões e contribuições sobre a importância da Academia para sua trajetória profissional e para os (as) estudantes acadêmicos nessa breve entrevista:
Expresso Periférico (EP) – Como surgiu a ideia de criar uma AEL na escola?
Ana Paula Rodrigues (APR) – Em 2014, já na EMEF Almirante Sylvio Heck, apresentei minha proposta para a Sala de Leitura que logo foi aprovada pelo Conselho e, em 2015, iniciei a melhor etapa da minha vida profissional, ser POSL. São quase 10 anos de um trabalho árduo, de envolvimento e de muitas descobertas. É impossível estar na sala de leitura e não se envolver em projetos,saraus, mediações, clubes de leitura…E de todos os projetos nos quais me envolvi nesses anos, quero destacar aquele por qual nutro um carinho mais que especial: a nossa Academia Estudantil de Letras Sérgio Vaz, a 47° academia da rede, iniciada e fundada em 2016. A segunda da nossa região e a primeira homenageando o Poeta da Periferia e que, sem dúvida nenhuma, é a grande responsável pelas transformações da nossa tão amada escola. São nove anos de movimentação dentro e fora da escola, apresentações, publicações e dois prêmios COOPERIFA, sendo um direcionado à escola e outro especificamente pelo reconhecimento ao meu trabalho desenvolvido na nossa comunidade. Vale destacar que hoje somos conhecidos como a escola da AEL Sérgio Vaz. Tudo isso aconteceu graças à sala de leitura e, por isso, falar sobre o fazer do POSL é falar sobre honra e orgulho de fazer parte de um processo de construção, nutrição e resgate em que uma semente plantada na sala de leitura ganha as salas de aula, o entorno da escola,lares, familiares e corações. É falar sobre amor, sobrevivência e ações para que as crianças e adolescentes entendam que sonhos podem se realizar, que acreditem e se apropriem da sua beleza, da sua voz, da sua vez.
EP – Por que homenagear o poeta Sérgio Vaz como patrono da AEL?
APR – As dificuldades encontradas no meu primeiro ano de POSL me trouxeram o desafio de pensar em estratégias para que os estudantes pudessem se sentir pertencentes ao espaço da sala de leitura. Foi um ano difícil para mim e para os alunos e, quando participei do Seminário de apresentação do projeto AEL, enxerguei a possibilidade real de transformação do espaço. No entanto, apenas o projeto não seria suficiente, os estudantes precisavam de uma referência maior para começarmos. Alguém que conseguisse descer do pedestal da literatura para conversar olho no olho com os estudantes do nosso território. Foi então que sugeri o nome do poeta Sérgio Vaz. Outros colegas trouxeram outros nomes e,assim, propusemos uma votação. Fiz algumas palestras antes da votação e o poeta foi escolhido.
EP – Qual a importância de realizar esse e outros projetos literários na formação dos/das
estudantes?
APR – A estratégia inicial, de mostrar para os estudantes que a sala de leitura pertence a eles, surtiu efeito. Hoje todos os nossos estudantes (não só os acadêmicos) cuidam do espaço com muito cuidado e carinho. Eles são poetas, contistas e ainda leitores vorazes. Já temos ex-acadêmicos como Jovem Aprendiz no Centro Cultural Banco do Brasil, outros na Graduação cursando Letras, Pedagogia e outro com bolsa integral para Arquitetura no Mackenzie.Como é possível perceber, a AEL Sérgio Vaz está inserida num contexto maior, que envolve reflexões, protagonismo, pertencimento dos estudantes para além dos(as)acadêmicos(as), refletindo na autoestima geral da comunidade escolar, como pode ser percebido na mensagem enviada por uma mãe para a professora Ana Paula: “Não poderia deixar de parabenizá-la pelo lindo trabalho que está fazendo com as crianças. A Gaby sempre foi uma menina muito tímida e vê-la agindo assim de uma forma segura e consciente, me deixa muito feliz e grata por tudo. Espero que no ano que vem o Luiz também possa participar e desfrutar de tanto aprendizado que a AEL proporciona não só para os alunos, mas também para os pais. Obrigada por tanta dedicação e carinho com que conduz nossos pequenos”, escreveu Jéssica Araújo Simão de Sobral, mãe de dois estudantes da EMEF Alm Sylvio Heck.
“Chá Revelação” e homenagem em vida
Peço licença para escrever esse texto em primeira pessoa, dado o envolvimento pessoal com o texto. Já comentei anteriormente sobre a importância das AELs para o fortalecimento da autoestima da comunidade escolar, para o protagonismo estudantil e para a fruição e produção literária dentro do contexto escolar, principalmente porque os participantes do projeto leem, pesquisam e estudam muito sobre os autores e autoras, seus amigos e amigas literários(as). Mas, para as AELs que optaram por homenagear autores vivos, que fazem parte das comunidades em que esses estudantes atuam, poder conversar, dialogar, aprender e ensinar em parceria com seu escritor ou escritora homenageado(a) é diferente. Posso afirmar isso com propriedade por presenciar as reações dos acadêmicos e seus familiares à presença do poeta Sérgio Vaz nas cerimônias da AEL que leva o seu nome e, principalmente, por vivenciar uma das maiores emoções da minha vida numa homenagem inesperada. Fui convidado a participar de um “Chá literário” na EMEF Conde Pereira Carneiro, no dia 23/05/2024. Fui preparado para conversar sobre minha produção literária, meus projetos e ações desenvolvidas no contexto cultural. Esperava responder perguntas sobre meu livro, sobre processo criativo e coisas afins. Mas, na verdade, participei de um “Chá Revelação” em que a intenção foi me revelar como Patrono da AEL da escola. AEL Professor Betinho. Ter seu nome sendo levado pela cidade, nos eventos institucionais dos quais os acadêmicos participam e ver a participação dos mesmos nos eventos que você ajuda a organizar, como o Encontro Literário #CaiuNaRedeÉCultura, é algo indescritível. Só lágrimas de alegria explicam, e confesso que já verti muitas!

Sei da responsabilidade que um Patrono de AEL carrega porque vejo a admiração e o carinho que os(as) estudantes apresentam cada vez que me encontram. Tenho procurado ensinar o que posso e aprender o máximo possível com eles, que ofertaram uma emoção única, em vida, e que está marcando minha vida desde então.








Evento de criação e posse da AEL Professor Betinho
No dia 14/12/24, ocorreu a cerimônia de criação oficial e posse da AEL Professor Betinho, nas dependências da EMEF Conde Pereira Carneiro. Com a presença dos educadores da escola, estudantes envolvidos com o projeto da AEL, familiares, amigos, amigas e companheiros e companheiras das minhas lutas educacionais e políticas, o evento foi marcado por muita emoção do começo ao final, com lindos depoimentos dos estudantes, apresentações teatrais e poéticas e o mais acolhedor abraço coletivo que já recebi até hoje, além da ilustre presença de representantes da AEL Sérgio Vaz, também compartilhando com todos, seu repertório poético já acumulado.Em 2025, a AEL Professor Betinho ganhará uma AELzinha e estará levando poesia por toda a cidade, enchendo de orgulho quem vos escreve esse breve relato, sempre emocionado, brilhantemente tocada pelas professoras Viviane – Vivi Mariox – e Deborah Caron, POSLs do Conde.




Vida longa às AELs! Viva a educação pública e viva a arte!
Imagens: Prof. Betinho e acervo pessoal