Em 18 de fevereiro, a Procuradoria Geral da República encaminhou ao Supremo Tribunal Federal a denúncia contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais 33 nomes pela tentativa de Golpe de Estado em 2022. No caso de o Supremo aceitar a denúncia, eles se tornaram réus e passarão a responder processo penal. Entre os denunciados, está o general Braga Netto, então candidato a vice-presidente na chapa de Bolsonaro. Além destes, encontramos os nomes de 24 militares, incluindo generais e um almirante.
Esta denúncia teve como base a “delação premiada” de seu ex-ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid, somadas a provas coletadas pela Polícia Federal e outros depoimentos que sustentam a acusação. Todos os documentos impressos e auditáveis.
A trama golpista coloca o ex-presidente no comando das ações e envolve inclusive a proposta de assassinato do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, seu vice-presidente Geraldo Alckmin e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral, o Ministro Alexandre de Moraes, agravando ainda mais a trama golpista.
O que se apresentava como uma suposição com diversas ações como a “ajuntamento” de pessoas nas portas dos quartéis, os bloqueios de caminhões nas estradas, os atos terroristas em Brasília antes mesmo da posse; que culminaram com a invasão da praça dos Três Poderes em 08 de janeiro de 2023, foram devidamente comprovadas no processo encaminhada pela PGR.
O plano só não seguiu adiante por não encontrar respaldo no alto comando militar, que se negou a apoiar essa trama golpista, mesmo com membros da cúpula envolvidos, sendo que alguns que se opuseram, passaram também a receber ofensas e ameaças por aqueles que defendiam o golpe.
Ainda falta denunciar aqueles que financiaram a tentativa de golpe. Foi muito dinheiro e apoio envolvido nessa história. Quem bancou os assentamentos nas portas dos quartéis? Quem financiou os caminhões que paralisaram as estradas? Quem financiou os golpistas que foram a Brasília e depredaram o Congresso, o STF e o Palácio do Planalto? Quem financiou a trama do assassinato de Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes? São algumas das perguntas às quais não se encontraram as respostas.
Essa investigação deve continuar e os envolvidos serem devidamente processados e presos. Não há espaço para “apaziguamento”, isso custou muito caro à Democracia. No passado, houve um “acordo” para que os responsáveis pelo golpe de 1964, bem como torturadores e assassinos, ficassem impunes; isso não pode se repetir.
SEM ANISTA PARA GOLPISTAS!
Imagem: Fotos Públicas (Rosinei Coutinho/SCO/STF)